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Secretarias estaduais relatam falta de medicamentos para sedar e entubar pacientes com coronavírus

Além da dificuldade de ampliar o número de leitos de UTI e respiradores, Estados brasileiros enfrentam agora a falta de sedativos e relaxantes musculares usados na [...]

Por Juka Martins em 04/06/2020 às 17:27:12

Além da dificuldade de ampliar o número de leitos de UTI e respiradores, Estados brasileiros enfrentam agora a falta de sedativos e relaxantes musculares usados na entuba√ß√£o de pacientes graves com covid-19, destaca o Estad√£o. Sem esses remédios, a ventila√ß√£o mec√Ęnica n√£o pode ser feita de forma adequada e o paciente corre maior risco de morrer.

Segundo o Conselho Nacional de Secret√°rios de Saúde (Conass), todas as secretarias estaduais relataram à entidade ter um ou mais medicamentos dessa classe em falta ou com estoque crítico. J√° h√° investiga√ß√Ķes abertas em ao menos dois Estados (Rio e Amap√°) para apurar óbitos de pacientes que n√£o tiveram acesso a essas medica√ß√Ķes.

Segundo médicos e gestores ouvidos pelo Estad√£o, a situa√ß√£o deve-se principalmente à crescente procura por esses medicamentos por causa do alto número de doentes que precisam ser entubados e do período prolongado de interna√ß√£o desses pacientes em UTIs. "É um uso prolongado e geralmente é usada uma combina√ß√£o de drogas de acordo com a gravidade e o objetivo. Todos ficaram falando do risco de colapso por falta de leito, mas agora temos o risco da falta desses medicamentos essenciais para a sobrevivência do paciente", destaca Ederlon Rezende, membro do conselho consultivo da Associa√ß√£o de Medicina Intensiva Brasileira.

Com a alta inesperada na demanda, dificuldade de importa√ß√£o de matérias-primas e alta do dólar, o mercado nacional n√£o estaria conseguindo suprir a procura, dizem gestores. Secretarias da Saúde consultadas pelo Estad√£o informaram alta de mais de 700% na utiliza√ß√£o desses medicamentos desde o início da pandemia. Em Alagoas, o número de doses utilizadas do relaxante muscular rocurônio subiu 787%. No Rio Grande do Norte, o aumento na utiliza√ß√£o de anestésicos e betabloqueadores foi de 200%. No Par√°, a alta foi de 100%.

O rocurônio é o que reúne o maior número de queixas de problemas no abastecimento. Levantamento feito pelo Conass com todas as secretarias da Saúde revelou que, das 25 pastas que responderam ao question√°rio, 24 têm problemas no abastecimento do item. Os números foram apresentados ontem em reuni√£o de comiss√£o da C√Ęmara dos Deputados.

 

 

Presente no encontro, um representante no Conass relatou que o órg√£o mandou ofício para o Ministério da Saúde no dia 14 de maio solicitando auxílio do governo federal aos Estados na rela√ß√£o com fornecedores. O problema foi tema de novo ofício, enviado no dia 29. Hoje, a maioria desses medicamentos é comprada diretamente pelos Estados e municípios ou pelos hospitais, mas as secretarias avaliam que uma interven√ß√£o do ministério junto à Anvisa e aos fabricantes pode facilitar a compra. Questionado, o ministério n√£o respondeu. Ao Conass, prometeu auxiliar na negocia√ß√£o com fornecedores.

Também presente na reuni√£o, o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêutico (Sindusfarma), Nelson Mussolini, disse que laboratórios est√£o trabalhando em m√°xima capacidade para dar conta da demanda e agora a produ√ß√£o est√° normalizada. "Tivemos problema quando houve "lockdown" na Índia e estamos tendo dificuldades com frete internacional. O número de voos foi reduzido e o pre√ßo subiu. Antes pag√°vamos US$ 2 por quilo transportado e agora, US$ 15."

Investigação

Ao menos dois hospitais de referência para tratamento de covid-19 no País s√£o investigados por suspeita de que a morte de alguns pacientes tenha sido causada pela falta de medicamentos utilizados na entuba√ß√£o.

No Rio, a Defensoria Pública abriu a√ß√£o para apurar os óbitos de sete pacientes em maio no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla por suposta falta de sedativos e anestésicos.

"A prefeitura admite dificuldades no abastecimento, mas nega que tenha havido falta a ponto de pacientes ficarem sem. De qualquer forma, continuamos a investiga√ß√£o e solicitamos fiscaliza√ß√Ķes aos conselhos de medicina e de farm√°cia", diz a defensora Alessandra Nascimento, subcoordenadora da coordena√ß√£o de saúde e tutela coletiva da Defensoria.

Também em maio, o enfermeiro Evandro Costa, de 42 anos, morreu por covid-19 após a Unidade Centro Covid 1, em Macap√°, afirmar que n√£o conseguiria fazer sua entuba√ß√£o por falta das medica√ß√Ķes necess√°rias. Segundo Amerson da Costa Maramalde, advogado que representa a família do enfermeiro, profissionais de saúde que eram amigos do paciente chegaram a fazer uma mobiliza√ß√£o para encontrar os medicamentos que permitiriam a entuba√ß√£o de Evandro, mas, quando conseguiram, o enfermeiro j√° estava morto.

A Secretaria Municipal da Saúde do Rio informou que abriu sindic√Ęncia para apurar os fatos no Hospital Ronaldo Gazolla e que o procedimento corre em sigilo até a sua conclus√£o. A pasta confirmou a dificuldade na aquisi√ß√£o dos medicamentos e diz estar fazendo "constantes remanejamentos dos estoques, conforme necessidade para atender as unidades com maior demanda". A fentanila, por exemplo, est√° sendo substituída por outros medicamentos com as mesmas fun√ß√Ķes, "uma vez que n√£o h√° atualmente no mercado fornecedores com disponibilidade para venda e entrega do produto".

A Secretaria Estadual da Saúde do Amap√° n√£o respondeu aos questionamentos da reportagem. As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Banda B

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