Prevent fez tratamento paliativo para reduzir custos, diz paciente

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva de beneficiário e de ex-médico da Prevent Senior. Pedro França/Agência...

Por Juka Martins em 07/10/2021 às 23:27:15

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva de beneficiário e de ex-médico da Prevent Senior. Pedro França/Agência Senado

Durante o depoimento, Tadeu Andrade relatou que diante da postura da operadora, a família decidiu contratar um médico particular para o acompanhamento. Após pressão da família e indicativos de que eles iriam procurar a mídia, os médicos recuaram e seu tratamento foi continuado.

O advogado definiu como "trama macabra" a atuação da Prevent Senior. Disse que esteve internado por 120 dias em um hospital da rede e que não morreu por causa da reação da família. "Minha família lutou contra a poderosa organização que é a Prevent, lutou para que eu não viesse à óbito, não aceitaram a imposição dos cuidados paliativos", disse.

Questionado se tem conhecimento de outros pacientes que tiveram o mesmo problema, Tadeu Frederico de Andrade disse que sim. “Pelo menos um caso. Uma das minhas filhas relatou que fez amizade com uma mulher que estava acompanhando a avó dela num leito de UTI próximo ao meu. Elas se encontraram várias vezes. Pelo que a gente sabe, essa senhora foi para cuidados paliativos e veio a óbito. Não posso generalizar, mas esse caso minha filha testemunhou. Eu não fui o único. Acredito que muitos mais tenham ido a cuidados paliativos”, afirmou o advogado.

Ainda segundo ele, os pacientes eram encaminhados para os chamados “cuidados paliativos” para retirar pacientes dos leitos de UTI e reduzir custos da operadora.

Outro lado

Em nota encaminhada à Agência Brasil, a Prevent Senior refuta a denúncia de ter iniciado tratamento paliativo ao paciente Tadeu Frederico de Andrade sem autorização da família. “Já tornado público via imprensa, o prontuário do paciente é taxativo: uma médica sugeriu, dada a piora do paciente, a adoção de cuidados paliativos. Conversou com uma de suas filhas por volta de meio-dia do dia 30 de janeiro. No entanto, ele não foi iniciado, por discordância da família, diferentemente do que o sr. Tadeu afirmou à CPI”. Ainda segundo a nota, “a médica fez uma sugestão, não determinação”.

Médico

Além do advogado Tadeu Andrade, a CPI também ouve hoje o ex-médico da operadora, Walter Souza Neto. Ele confirmou aos senadores uma série de denúncias contra a Prevent Senior. Uma delas era que os médicos eram obrigados a prescrever aos pacientes o chamado kit covid, composto por medicações sem eficiência contra o coronavírus comprovada cientificamente.

Fonte: Agência Brasil

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