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Canais de investigados em inquérito das fake news receberam verba estatais

Levantamento foi divulgado neste domingo pelo jornal 'O Globo'. Dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informa√ß√£o. Inquérito das fake news: veja quem [...]

Por Juka Martins em 31/05/2020 às 23:09:10
Levantamento foi divulgado neste domingo pelo jornal 'O Globo'. Dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informa√ß√£o. Inquérito das fake news: veja quem s√£o os investigados

Canais do YouTube de investigados pelo inquérito das fake news por ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), defesa do fechamento do Congresso e interven√ß√£o militar no Brasil foram financiados com verbas publicit√°rias de empresas estatais, segundo levantamento divulgado neste domingo pelo jornal 'O Globo'.

Os dados, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informa√ß√£o, revelam que, "ao todo, mais de 28 mil anúncios da Petrobras e da Eletrobras foram veiculados nesses canais entre janeiro de 2017 e julho de 2019, antes e durante o governo Bolsonaro".

Dados da Secretaria de Comunica√ß√£o da Presidência mostram que, no período de janeiro a setembro do ano passado, o governo veiculou quase 1,5 mil anúncios no site do blogueiro Allan Lopes dos Santos, um dos suspeitos nas investiga√ß√Ķes. Mas n√£o revela valores.

Em seu perfil pessoal no Instagram, Allan dos Santos exibe v√°rias fotos com o presidente e mostra ter acesso f√°cil ao pal√°cio e ao presidente, a quem chama de "amigo". Em 2018, um dia depois do segundo turno das elei√ß√Ķes, escreveu: "O presidente eleito recebeu um zé ninguém só por ser um amigo".

Neste mês, Allan publicou uma foto em frente ao Supremo, mostrando o dedo do meio. Ele tem um site e também um canal no YouTube com mais de 900 mil inscritos. Em depoimento à CPMI das Fake News, em novembro do ano passado, Allan disse que n√£o recebia dinheiro do governo.

Outra base de dados, da Secretaria de Comunica√ß√£o da Presidência, aponta que mais de 390 mil anúncios do governo federal tiveram como destino 11 sites e canais com o mesmo perfil entre junho e agosto do ano passado". Essa "verba foi destinada para a campanha sobre a reforma da previdência".

Em resposta à reportagem, a Secom e as empresas estatais disseram que "n√£o direcionaram as verbas para os veículos, embora n√£o seja possível impedir que um determinado canal receba publicidade". Isso porque um tipo de propaganda na internet chamada de program√°tica -- que consegue direcionar os anúncios para os usu√°rios que mais se encaixam naquele perfil de consumo.

Para ter acesso a essa tecnologia, os anunciantes -- como a Petrobras e a Eletrobras -- contratam empresas intermedi√°rias, que negociam com as plataformas.

A reportagem do jornal também revela ainda que entre os blogueiros que receberam verba publicit√°ria da Petrobras e que s√£o investigados pelo STF est√£o Allan dos Santos, Enzo Leonardo Suzi Momenti e Bernardo Pires Kuste.

Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter, hoje se diz ex-feminista e, em 2014, foi às ruas protestar contra o ent√£o deputado Jair Bolsonaro, de quem agora é apoiadora. J√° ocupou cargo no governo federal na Secretaria Nacional de Políticas para as mulheres. Foi nomeada em junho de 2019, e exonerada em outubro.

Neste mês, o Ministério Público do Distrito Federal moveu a√ß√£o contra ela e outros integrantes de um acampamento instalado na Esplanada dos Ministérios. Os promotores chamam o grupo de "milícia armada". Em entrevista à BBC Brasil, ela reconheceu a "existência de armas dentro" do grupo.

O inquérito que apura os ataques contra o Supremo Tribunal Federal também investiga quem bancaria uma estrutura de fake news. Os indícios apontam para Edgard Gomes Corona, Luciano Hang, Otavio Oscar Fakhoury, Reynaldo Bianchi Junior e Winston Rodrigues Lima. Eles tiveram os sigilos banc√°rio e fiscal quebrados.

O empres√°rio Luciano Hang, em outro processo, foi condenado em primeira inst√Ęncia a indenizar o reitor da Unicamp por ter publicado uma informa√ß√£o falsa sobre ele.

Em nota, a defesa do empres√°rio Luciano Hang disse que, em rela√ß√£o ao processo movido pela Unicamp e o reitor Marcelo Knobel, que ele "apenas exerceu sua liberdade de express√£o, e que recorrer√° da decis√£o". Em rela√ß√£o ao inquérito do STF, disse que "n√£o realizou nenhuma publica√ß√£o de fake news, tampouco financiou qualquer um dos investigados".

A defesa de Edgard Corona disse que o empres√°rio est√° à disposi√ß√£o da justi√ßa.

Por nota, a defesa de Winston Rodrigues Lima disse que foi alvo das investiga√ß√Ķes em virtude de sua atividade como ativista, e que, a respeito de possíveis financiamentos do qual é acusado, n√£o restar√° dúvida alguma sobre sua conduta ética e moral.

Reynaldo Bianchi Junior negou ter cometido qualquer ato que pudesse ter ensejado o mandado de busca e apreens√£o.

Ele, os advogados de Sara Fernanda Geromim e os de Bernardo Pires Kuster disseram que ainda aguardam acesso ao inquérito para poderem se manifestar.

Allan dos Santos diz que seu site tem sido vítima de uma campanha difamatória e que n√£o deixar√° de criticar os ministros da Suprema Corte.

O Planalto n√£o quis comentar.

O deputado Eduardo Bolsonaro n√£o retornou o contato.

Nós n√£o conseguimos contato com os advogados de Enzo Leonardo Suzi Momenti e com Otavio Oscar Fakhoury.

Fonte: G1

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