Guarabirense que confessou assassinato de comerciante de Patos vai a julgamento no próximo dia 17

Por Juka Martins em 02/03/2021 às 10:19:13
Marília Carvalho (Acusada)

Marília Carvalho (Acusada)

A jovem Mar√≠lia de Carvalho Marinho, 24 anos, ré confessa e √ļnica acusada pela morte do comerciante patoense Pedro Morais Medeiros Neto, de 37 anos, filho da empres√°ria Marta, dona de um supermercado em Patos, ser√° levada a julgamento no dia 17/03/2021, às 09h, na Comarca de Guarabira, onde o crime ocorreu.

Pedro Neto foi morto a tiros na noite do s√°bado, 08 de junho de 2019, nas imedia√ß√Ķes do Memorial Frei Dami√£o, na cidade de Guarabira, no Brejo paraibano.

Segundo informa√ß√Ķes colhidas pela reportagem, Pedro Neto saiu de casa falando para fam√≠lia que iria vender todo o seu gado. O rebanho que seria de propriedade dele e de um(a) sócio(a) e que a fam√≠lia descobriu depois que nunca existiu tal rebanho.

Por volta das 16h30 daquele dia, a sua esposa ainda teria conseguido falar com ele por telefone, mas depois de outras tentativas n√£o teria conseguido mais.

Pedro Neto (Vítima)
Apenas no outro dia, por volta do meio dia, os familiares receberam a notícia de que ele teria sido encontrado morto com dois tiros na cabeça, sendo um na nuca e outro na lateral esquerda.

O carro ao qual ele estava, um ve√≠culo Prisma, cor preta, desapareceu no dia do crime junto com seus pertences, incluindo o celular. Até ent√£o, os familiares acreditavam que ele tinha sido v√≠tima de um assalto.

Quebra-cabeça do crime

Iniciadas as investiga√ß√Ķes, a Pol√≠cia Civil chegou até o nome de Mar√≠lia de Carvalho que chegou a ser ouvida um dia após o crime pelo delegado Norival Gomes Portela, mas inicialmente negou qualquer participa√ß√£o na morte de Pedro Neto.

No entanto, a Pol√≠cia Civil seguiu investigando e todas as pistas levavam até a jovem que foi encontrada no dia da pris√£o com o celular da v√≠tima.

O rastreamento do celular da v√≠tima feito pela Pol√≠cia Civil sempre apontava que o aparelho estava com ela. Isto foi uma ferramenta importante para pol√≠cia pedir sua pris√£o, j√° que ela negava tudo até o dia em que foi presa.

Da√≠ ent√£o o mandado de pris√£o preventiva contra ela foi expedido pelo juiz da Comarca de Guarabira e cumprido no dia 12 de julho do mesmo ano, um m√™s e quatro dias após o crime.

Mar√≠lia, na época com 22 anos, foi presa na cidade de Bananeiras, onde fazia o curso técnico de Agropecu√°ria.

Após ser presa, no seu segundo depoimento, Mar√≠lia mudou sua vers√£o inicial e n√£o só confessou a autoria do crime, como também contou ainda aos policiais o local onde, o ve√≠culo de Pedro Neto estava escondido.

O carro, que era da esposa da vítima, foi localizado na cidade de Barra de Santa Rosa, totalmente queimado e "depenado".

Carro da esposa da vítima

O local do esconderijo do ve√≠culo fica distante 97 quilômetros de Guarabira. O carro foi periciado.

No seu depoimento ao qual o Portal teve acesso, ela disse que não foi ela quem queimou o veículo e ocultou possíveis provas.

O √°libi do crime

"A acusada confessou a autoria do crime e alegou ter matado porque era chantageada por Pedro que queria reatar o relacionamento e a teria ameaçado de divulgar fotos e vídeos íntimos dela", revelou o delegado Hugo Lucena.

Para a pol√≠cia, n√£o h√° d√ļvidas sobre a autoria do crime, tendo sido ela indiciada e aguardando julgamento. Porém, até hoje para fam√≠lia, muita coisa n√£o ficou devidamente explicada, pois a ré nega outras quest√Ķes que envolvem o caso.

Em seu depoimento após a pris√£o ao delegado Hugo Lucena, Mar√≠lia disse que manteve uma rela√ß√£o extraconjugal com a v√≠tima entre 2014 e 2019 entre términos e reconcilia√ß√Ķes e que agiu sozinha e n√£o de forma premeditada.

Na primeira vers√£o, ela havia dito que manteve rela√ß√£o amorosa com ele apenas por alguns meses em 2014 quando o conheceu, acabando logo ao saber que ele era casado, e que nunca havia mantido negócios com a v√≠tima.

A vers√£o, porém, foi alterada dizendo ela que acabou o relacionamento ao descobrir que a v√≠tima era casada. Disse em depoimento que Pedro emprestou R$ 14 mil e que ao acabar a rela√ß√£o ele teria come√ßado a pression√°-la a devolver o dinheiro.

No entanto, para fam√≠lia, o motivo assassinato foi em torno de uma quantia alta em dinheiro que a v√≠tima investiu colocando na m√£o dela, cerca de R$ 60 mil, para suposta compra de gado, negócio que os dois manteriam, e que ela o matou por conta de dinheiro j√° que n√£o teria condi√ß√Ķes de devolver a vultuosa quantia. Foi o que apontaram as investiga√ß√Ķes.

A ré cita em depoimento a quantia em dinheiro, mas em menor valor, n√£o dizendo que teria sociedade com a v√≠tima na cria√ß√£o de gado. Durante a investiga√ß√£o, os policiais descobriram que esse gado nunca existiu.

Ao falar do dinheiro que Pedro mandava pra ela, Mar√≠lia só falou em empréstimo, mas n√£o admitiu que tal investimento era para compra de gado como dizia Pedro antes de morrer.

Para a família, Pedro foi enganado de todas as formas e levado para o local onde aconteceria o crime pensando ele que iria buscar o dinheiro da venda do gado.

Segundo informa√ß√Ķes colhidas pela reportagem, a v√≠tima saiu de casa após receber um telefonema para ir até Guarabira negociar o gado com a acusada.

Ligaram para ele na quinta-feira mandando ele ir pesar o gado para vender. Pediram para Pedro estar l√° na sexta-feira à tarde para pesar o gado. N√£o se sabe quem.

Pedro foi encontrado com os pés sujos e descal√ßos como mostra a foto. Para fam√≠lia, no m√≠nimo ele ficara em pé, e tentado fugir da morte para que os pés ficassem daquela forma.

Em depoimento, ela relatou que atirou na vítima dentro do carro e apenas a jogou para fora.

Já a família acredita que ele lutou tenha tido luta corporal, ou corrido mesmo para tentar se salvar.

A fam√≠lia afirma ainda que na época em que ele foi morto, Pedro j√° n√£o mantinha mais rela√ß√£o com Mar√≠lia, e queria apenas que ela vendesse o tal gado e pegasse a parte dele em dinheiro.

A jovem em seu segundo depoimento contou outra vers√£o. Veja parte dela.


Até hoje, a fam√≠lia refuta esta vers√£o, e acredita que teria mais gente envolvida no crime, pois jamais ela conseguiria fazer o que fez sozinha, por Pedro ser grande e forte.

No entanto, até o momento ela n√£o citou mais ninguém, apenas assumindo o assassinato sozinha e sem premedita√ß√£o.

Para fam√≠lia, a acusada reverte, a todo momento, tais ila√ß√Ķes e conta a vers√£o de que se defendeu das amea√ßas dele como √°libi de defesa.

O Portal 40 Graus teve a informação que a família tem de posse conversas dele com a acusada falando sobre coisas relacionadas ao gado.

Outra vers√£o apresentada pela acusada e contestada pela fam√≠lia foi o fato dela dizer que matou ele dentro do carro. Ela estaria no banco de tr√°s e pegado um revólver que estava debaixo do banco dianteiro, pois sabia que ele andava com arma dentro do carro.


A família contesta dizendo que Pedro Neto nunca teve arma de fogo. "Como ela sabia que existia essa arma debaixo do banco do carro, se o carro nem dele não era?", contesta a família.

A arma do crime nunca foi localizada pela Polícia Civil nem a acusada disse onde a teria jogado ou colocado.

Até hoje, Mar√≠lia permanece presa no Pres√≠dio Feminino Maria J√ļlia Maranh√£o, em Jo√£o Pessoa, aguardando julgamento.

A família pede justiça para o crime e continua a acreditar que ela não agiu sozinha.



Vicente Conserva – Portal 40 Graus

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Tapiocaria Silva