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Estudo sugere queda de anticorpos associada à segunda onda de Covid na Inglaterra

Além do exame, que era enviado aos participantes por correio, os volunt√°rios respondiam um question√°rio para tra√ßar o perfil sociodemogr√°fico do estudo. Aspectos como [...]

Por Juka Martins em 28/10/2020 às 06:06:10

Além do exame, que era enviado aos participantes por correio, os volunt√°rios respondiam um question√°rio para tra√ßar o perfil sociodemogr√°fico do estudo. Aspectos como cor, gênero, faixa et√°ria, profiss√£o e local de moradia foram avaliados.

A incidência de Covid-19 foi maior em jovens entre 18 e 24 anos e menor nos indivíduos com mais de 75 anos. Também foi maior a prevalência nos moradores de Londres em compara√ß√£o com o sudoeste da Inglaterra, entre a popula√ß√£o negra (13,8%) e asi√°tica (9,7%) em compara√ß√£o aos brancos (3,6%) e nos trabalhadores dos setores de saúde e assistência social.

Os participantes também foram questionados sobre o histórico de Covid-19 (se o volunt√°rio apresentou sintomas típicos) e se tiveram comprova√ß√£o da infec√ß√£o por meio do exame RT-PCR.

Os autores encontraram maior queda de anticorpos nos indivíduos que reportaram histórico de Covid-19, mas sem o exame, do que naqueles que afirmaram ter realizado o exame para comprova√ß√£o da infec√ß√£o (redu√ß√£o de 64% ante apenas 22,3%). Isto pode ter influenciado no resultado, uma vez que n√£o é possível assegurar se houve, de fato, a presen√ßa de anticorpos neutralizantes nesses participantes.

A queda na titula√ß√£o de anticorpos também foi maior nos indivíduos com idade acima de 75 anos (-39%), notadamente aqueles que tiveram a menor prevalência, em compara√ß√£o à faixa et√°ria mais jovem (-14,9%).

O estudo, porém, possui v√°rias limita√ß√Ķes. A primeira, relatada pelos próprios autores, consiste no desenho do estudo: foram selecionadas amostras da popula√ß√£o aleatórias e n√£o sobrepostas, isto é, n√£o houve um monitoramento da queda nos anticorpos em popula√ß√Ķes idênticas entre as três fases.

Como os participantes eram selecionados aleatoriamente, mas a participa√ß√£o n√£o era compulsória, é prov√°vel que pessoas que tiveram contato com o vírus n√£o tenham participado, contribuindo para a queda na taxa de prevalência entre as três fases.

Os autores também afirmam ainda que a quest√£o da import√Ęncia dos anticorpos tanto para prote√ß√£o, quanto para possibilidade de reinfec√ß√£o n√£o est√° muito clara.

“É esperada, durante qualquer resposta imune humoral [anticorpos], uma queda na titula√ß√£o nos meses seguintes devido à morte das células do plasma. No caso de outros coronavírus, alguns estudos apontam para a dura√ß√£o da resposta imune humoral de apenas um ano”, escreveram os pesquisadores.

Ainda, segundo especialistas ouvidos pela Folha, o estudo falha no tipo de exame utilizado, o imunocromatogr√°fico, com baixa sensibilidade. Os próprios autores afirmam que a queda na prevalência de anticorpos observada no estudo pode estar relacionada ao chamado limite no qual o teste n√£o é capaz de identificar anticorpos, mesmo quando eles est√£o presentes (falso negativo), ou captar anticorpos específicos para outros patógenos que n√£o o Sars-CoV-2 (falso positivo).

O teste utilizado apresentava uma sensibilidade de 84,4%, taxa abaixa do esperado. A especifidade, no entanto, era próxima à do RT-PCR (98,6%). Diversos estudos j√° apontaram para a falta de evidências para uso dos testes r√°pidos no diagnóstico de Covid-19.

Esper Kall√°s, infectologista da Faculdade de Medicina da USP, explica que os resultados do estudo n√£o sustentam a conclus√£o. “Se fosse verdade que a segunda onda é resultado de queda de imunidade, teriam encontrado inúmeros casos de reinfec√ß√£o, o que ainda é raro. O teste utilizado tem baixa sensibilidade e só detecta aqueles que têm taxas altas de anticorpos.”

Para Paulo Lotufo, epidemiologista e professor titular de clínica médica da Faculdade de Medicina da USP, da mesma maneira que n√£o é possível afirmar, apenas com base na presen√ßa de anticorpos no sangue, a confirma√ß√£o da infec√ß√£o por Covid-19, também n√£o se deve usar a queda nessa titula√ß√£o como garantia de perda de imunidade.

“É natural que os anticorpos apresentem uma queda. O anticorpo n√£o vai ficar circulando o tempo inteiro [no sangue], mas, se houver uma nova infec√ß√£o, ele pode responder. Temos que pensar ainda que existe a resposta imune celular. Minha impress√£o é que é muito difícil afirmar perda de imunidade, é mais prov√°vel que o teste tenha baixa sensibilidade”, conclui.

Fonte: Banda B

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