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Estudo comprova presença do coronavírus no cérebro de pacientes

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) encontraram o novo coronavírus em cérebros de pacientes mortos pela doen√ßa, além de [...]

Por Juka Martins em 19/10/2020 às 11:25:51

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) encontraram o novo coronavírus em cérebros de pacientes mortos pela doen√ßa, além de altera√ß√Ķes morfológicas – que se referem à forma e à estrutura – no cérebro de pessoas com quadros moderados de covid-19. O resultado deve ajudar em tratamentos mais efetivos de pacientes de covid-19 que apresentam sintomas neurológicos, como anosmia, confus√£o mental, convuls√Ķes e zumbido no ouvido.

“O que identificamos agora é que o vírus é sim capaz de chegar no sistema nervoso central, no cérebro. N√£o só detectamos o vírus no cérebro de pessoas que morreram com a covid-19 - coletamos os cérebros delas post mortem -, mas nós fizemos também an√°lises de imagem, escaneamos os cérebros de pacientes com covid-19 moderada e altera√ß√Ķes significativas foram observadas”, disse o professor de bioquímica da Unicamp, Daniel Martins-de-Souza, coordenador da pesquisa. O estudo foi divulgado essa semana, em plataforma preprint, ainda sem revis√£o por pares.

Ele ressalta que até o momento n√£o existem evidências disso na literatura, apesar de alguns pacientes apresentarem sintomas neurológicos. “Esse é um estudo feito com centenas de pacientes moderados, n√£o s√£o nem pacientes graves, e que demonstra que as altera√ß√Ķes morfológicas est√£o correlacionadas com a covid-19”, disse. Segundo ele, as consequências nos pacientes ainda est√£o sendo observadas porque a covid-19 é uma doen√ßa nova. “N√£o deu tempo de vermos o que vai acontecer no longo prazo, mas fato é que pessoas j√° curadas ainda tem queixas de sintomas neurológicos mesmo depois de o vírus j√° ter saído do corpo”.

Os pesquisadores j√° haviam comprovado em testes in vitro que o novo coronavírus era capaz de infectar os neurônios. No entanto, em testes em humanos, eles identificaram a presen√ßa do vírus em uma outra célula do cérebro, chamada astrócito.

“Vimos que o vírus est√° no cérebro de algumas das pessoas que morreram de covid-19, n√£o tanto nos neurônios, mas em uma outra célula que chama astrócito. Esta é uma célula que auxilia os neurônios a se comunicarem. No laboratório, fizemos um experimento mostrando que os astrócitos infectados podem produzir subst√Ęncias que matam neurônios e essa pode ser a causa de a gente ver aquelas altera√ß√Ķes nas imagens do cérebro [de pessoas vivas infectadas]”, explicou.

Tratamento

O pesquisador afirma que essas informa√ß√Ķes s√£o a primeira pista para que se tenha tratamentos mais efetivos especialmente para aqueles pacientes que tiveram acometimentos neurológicos. “Nem todos v√£o ter [sintomas neurológicos], uma média de 30% a 35% s√£o os que têm esses sintomas. Para esses, é bom saber que os sintomas podem sim ser derivados de infec√ß√£o no cérebro”.

Martins-de-Souza explicou que o que se acreditava até agora é que os sintomas neurológicos eram causados apenas por uma infec√ß√£o sistêmica. “Pensava-se até aqui que os sintomas neurológicos seriam uma consequência de inflama√ß√£o em outros lugares – como o pulm√£o – e que afetava secundariamente o cérebro. Mas aqui vemos que isso [sintomas neurológicos] pode acontecer também porque o vírus chega sim ao cérebro”, disse.

Além desses resultados, os pesquisadores v√£o continuar as investiga√ß√Ķes para entender melhor o papel dos vírus dentro dos astrócitos, as consequências disso no longo prazo, além de uma quest√£o que Martins-de-Souza considera essencial: como é que o vírus chega no cérebro.

Fonte: Agência Brasil

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