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Ara√ļjo diz que declara√ß√Ķes de Pompeo foram alvo de m√° tradu√ß√£o

Com audiência concorrida, o ministro das Rela√ß√Ķes Exteriores, Ernesto Araújo, foi nesta quinta-feira (24) à Comiss√£o de Rela√ß√Ķes Exteriores (CRE) do [...]

Por Juka Martins em 24/09/2020 às 14:31:56

Com audiência concorrida, o ministro das Rela√ß√Ķes Exteriores, Ernesto Araújo, foi nesta quinta-feira (24) à Comiss√£o de Rela√ß√Ķes Exteriores (CRE) do Senado para falar sobre declara√ß√Ķes contra o regime de Nicol√°s Maduro feitas durante a visita do secret√°rio de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, a Roraima, na última sexta-feira (18).

O requerimento de convite para a ida do ministro ao colegiado foi motivado pelo fato de alguns parlamentares terem entendido que o secret√°rio usou o Brasil para promover o presidente norte-americano Donald Trump, que est√° na reta final da campanha pela reelei√ß√£o e ter feito declara√ß√Ķes contra o regime de Maduro.

Tradução

Araújo recha√ßou todas as críticas às declara√ß√Ķes feitas na coletiva de imprensa ocorrida após visita. Para o brasileiro, um dos elementos mencionados pelo secret√°rio Mike Pompeo foi objeto de polêmica por uma "m√° tradu√ß√£o". "Foi traduzido que ele haveria dito: onosso mundo est√° consistente. E a gente vai tirar essa pessoa e vai colocar no lugar certo", como se estivesse referindo a Nicol√°s Maduro. Na verdade, o que ele disse em inglês, eu vou tentar uma tradu√ß√£o melhor, foi: "nossa vontade é coerente, o nosso trabalho ser√° incans√°vel e chegaremos ao lugar certo", afirmou.

Para o chanceler, no contexto de toda a entrevista, fica claro que as afirma√ß√Ķes foram feitas a partir de uma perspectiva humanit√°ria, de defesa dos direitos humanos. Ao ressaltar que, para o Brasil, o governo da Venezuela é o de Juan Guaidó, também reconhecido por outros 56 países, ele garantiu ainda que nenhuma crítica foi feita diretamente ao povo venezuelano, ou contra o país vizinho.

"De forma nenhuma! Ofensa à Venezuela seria a gente ignorar o sofrimento do povo venezuelano. Nós temos total solidariedade pelo povo venezuelano. É uma na√ß√£o amiga, é uma na√ß√£o irm√£, com uma tradi√ß√£o democr√°tica imensa; terra de Bolívar, como se sabe. ""É importante que a gente n√£o use a palavra Venezuela para se referir a esse bando de facínoras que ocupa o poder ainda na Venezuela, pelos quais a gente só tem desprezo – e justamente, me parece. É importante esclarecer isso", afirmou, em referência à Nicol√°s Maduro.

Met√°fora

O chanceler brasileiro usou uma met√°fora feita à época pelo senador Esperidi√£o Amim (SC) para explicar as críticas feitas por ele e pelo secret√°rio de estado americano na visita ao Brasil. Araújo negou que tenha recebido Mike Pompeu "em sua casa", para falar mal do vizinho [ Venezuela].

"Vamos supor, ent√£o, que nós, aqui no Brasil, estamos em uma rua e temos um vizinho que é muito amigo nosso. De repente, esse vizinho tem a casa dele invadida por um narcotraficante que praticamente escraviza o vizinho, prende no por√£o o vizinho e toda a sua família e ocupa essa casa do vizinho. Vamos supor que um dos filhos do vizinho consegue escapar, vem para o nosso terreno, nós o acolhemos e, ent√£o, recebemos um amigo de uma outra rua, que também é amigo do nosso vizinho, e vamos falar dessa situa√ß√£o. Ent√£o, o fato de nós falarmos dessa situa√ß√£o n√£o é uma agress√£o ao nosso vizinho, é uma preocupa√ß√£o com o fato de que a casa do nosso vizinho foi tomada por um narcotraficante", disse.

Na avalia√ß√£o de Araújo, as críticas "ao narcotraficante que tomou essa casa" n√£o significa agress√£o ao vizinho. "É o contr√°rio: é o nosso dever de vizinhan√ßa e de solidariedade", disse.

Fonte: Agência Brasil

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