Sofesta

Fachin diz que candidatura de Lula em 2018 teria feito bem à democracia

Fachin comparou a atual situação política do Brasil com o governo fascista de Benito Mussolini.

Por Juka Martins em 18/08/2020 às 21:47:23

Durante a abertura do Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, nesta segunda-feira (17), o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que a candidatura do ex-presidente Lula em 2018 teria feito bem à democracia.

"O tempo mostrou que teria feito bem à democracia brasileira se a tese que sustentei no TSE tivesse prosperado na Justi√ßa Eleitoral. Fazer fortalecer no Estado democr√°tico o império da lei igual para todos é imprescind√≠vel. Especialmente para n√£o tolher direitos pol√≠ticos". Apontou o magistrado.

Fachin teve voto vencido em 2018, no julgamento do STF que decidiu por seis votos a um impedir a candidatura de Lula com base na Lei da Ficha Limpa. O ex- presidente já foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro e condenado há mais de 12 anos de prisão, em ação da Lava Jato sobre sítio de Atibaia em fevereiro de 2019.

"No julgamento em que esteve em pauta a candidatura do ex-presidente Lula, fiquei vencido. Contudo, mantenho a convicção de que não há democracia sem ruído", disse o ministro.

De acordo com o jornal Valor econômico, Fachin comparou a atual situa√ß√£o pol√≠tica do Brasil com o governo fascista de Benito Mussolini. "Atentemos para aqueles que consideram os princ√≠pios constitucionais um estorvo", concluiu o ministro do STF.

A indignação seletiva do ministro

Ao se posicionar politicamente a favor do ex-presidente, n√£o levando em considera√ß√£o as condena√ß√Ķes de Lula, uma delas em quatro inst√Ęncias, Fachin prop√Ķe, ao mesmo tempo, puni√ß√£o aos religiosos, os enquadrando numa poss√≠vel lei de abuso de poder religioso, levando à cassa√ß√£o de mandato j√° em pleito de 2020, bem como a proibi√ß√£o de opera√ß√Ķes policiais em favelas do Rio de Janeiro durante a pandemia.

O integrante da Suprema da Corte também foi favor√°vel à instaura√ß√£o dos inquéritos inconstitucionais 4781 e 4828, tolhendo, assim, gravemente a liberdade de express√£o dos brasileiros, como bem lembrou o renomado jurista Modesto Carvalhosa, em uma super live em julho deste ano.

À época, Carvalhosa enfatizou que n√£o existe mais o sistema acusatório, e criticou as a√ß√Ķes inquisitórias do ministro Alexandre de Moraes. "O STF criou a santa inquisi√ß√£o através dessas medidas. Todo mundo est√° com medo de falar dos ministros. Se alguém falar da fam√≠lia deles, ent√£o, pelo amor de Deus! Às 6h da manh√£, sua casa pode ser arrombada porque Alexandre [de Moraes] mandou uma ordem para invadir seu lar. Ent√£o, é esse o tipo de trucul√™ncia que consta, a partir dessa infame portaria 69. N√£o existe mais imparcialidade dos ju√≠zes", finalizou.

Declaração de ministro repercutiu na internet

A declaração do ministro repercutiu nas redes sociais, causando indignação a alguns parlamentares. A deputada Federal Bia Kicis (PSL РDF), em sua conta no Twitter, classificou o discurso de Fachin como vergonhoso:

"Fachin torce por Lula, acha que ele faria bem à democracia, acusa o governo de assemelhar-se ao fascismo e pede aten√ß√£o p/ quem considera princ√≠pios constitucionais um estorvo. Só tenho visto ministros do STF desprezarem direitos, garantias e princ√≠pios constitucionais.Vergonha."

O deputado Federal Daniel Silveira (PSL-RJ) afirmou em uma conta nas redes sociais que a bandidolatria impera no Supremo:

"O ministro do STF, Edson Fachin, afirmou que gostaria que Lula tivesse concorrido em 2018, pois isso "teria feito bem à democracia brasileira". É a bandidolatria que impera na "Nem T√£o Suprema Corte", composta por abomin√°veis, aberrativos, abjetos?"

Fonte: Terça Livre

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