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Facebook decide manter vídeo em que Bolsonaro toma cloroquina 3 meses após apagar post por 'desinformação'

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, avalia√ß√£o da rede social é de que presidente expôs sua experiência pessoal com o medicamento; vídeo j√° [...]

Por Juka Martins em 09/07/2020 às 01:06:32
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, avalia√ß√£o da rede social é de que presidente expôs sua experiência pessoal com o medicamento; vídeo j√° é o terceiro mais visto do ano no perfil de Bolsonaro. Bolsonaro diz que exame deu positivo e est√° com Covid-19

Reprodução/TV Brasil

Três meses depois de apagar um vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro criticava o isolamento social e dizia a apoiadores que a "hidroxicloroquina est√° dando certo em tudo o que é lugar", o Facebook decidiu manter no ar o vídeo viral em que o presidente toma um comprimido do medicamento e diz que "com toda certeza, est√° dando certo".

Facebook e Instagram removem vídeo de Jair Bolsonaro por viola√ß√£o de regras

À BBC News Brasil, um porta-voz da rede social informou nesta quarta-feira que "o Facebook n√£o vai remover a publica√ß√£o".

A reportagem apurou que a avalia√ß√£o interna é de que o presidente compartilha sua experiência pessoal com o medicamento e que uma eventual remo√ß√£o poderia ser entendida como "censura".

Frases do presidente Jair Bolsonaro ao anunciar que exame para Covid-19 deu positivo

Arte/G1

Também contou a favor da publica√ß√£o o fato de Bolsonaro afirmar que "sabemos que nenhum (remédio) tem sua efic√°cia cientificamente comprovada".

"Mas (sou) mais uma pessoa que est√° dando certo. Ent√£o, eu confio na hidroxicloroquina. E você?", diz o presidente ao encerrar o vídeo.

Menos de 24 horas depois de sua publica√ß√£o, o vídeo j√° é o terceiro mais visto na p√°gina de Jair Bolsonaro no Facebook em 2020, com 5 milh√Ķes de visualiza√ß√Ķes até a publica√ß√£o desta reportagem.

A postagem gerou críticas por supostamente estimular o consumo do remédio, que n√£o tem efic√°cia comprovada e pode causar efeitos colaterais graves, como arritmia cardíaca. Desde junho, entidades como a OMS (Organiza√ß√£o Mundial da Saúde), o FDA (equivalente à Anvisa nos EUA), a Sociedade Americana de Infectologia e o Instituto Nacional de Saúde Norte-Americano recomendam que os profissionais de saúde n√£o usem cloroquina ou hidroxicloroquina em pacientes com a covid-19, exceto em pesquisas clínicas.

Recordes de visualiza√ß√Ķes

O vídeo foi publicado horas depois de o presidente anunciar, em entrevista no Pal√°cio do Alvorada, que testou positivo para o novo coronavírus.

A jornalistas, nesta terça-feira (7), o presidente afirmou que teve os primeiros sintomas no domingo (5). Bolsonaro disse que chegou a ter 38 graus de febre na segunda-feira (6).

A declara√ß√£o ocorreu dias depois de Bolsonaro participar de uma transmiss√£o ao vivo com outras seis pessoas, reunir com um grupo de empres√°rios, sobrevoar √°reas do Estado de Santa Catarina afetadas pelo ciclone-bomba, almo√ßar na casa do embaixador americano em Brasília e se reunir com diversos ministros.

Desde os primeiros casos registrados no país, Bolsonaro tem minimizado a seriedade do vírus e chegou a classific√°-lo como uma "gripezinha". Bolsonaro também se mostra contr√°rio a medidas de isolamento social e ao uso de m√°scaras — recentemente, ele vetou a obrigatoriedade do acessório em alguns locais como estabelecimentos comerciais e igrejas.

Na transmissão publicada nesta terça-feira no Facebook, Bolsonaro diz que estava tomando sua terceira dose de hidroxicloroquina.

"Estou me sentindo muito bem. Estava mais ou menos no domingo, mal na segunda-feira, e hoje, ter√ßa, estou muito melhor do que s√°bado. Ent√£o, com toda certeza, est√° dando certo", diz Bolsonaro no vídeo viral.

Ele tem número semelhante de visualiza√ß√Ķes de outro vídeo sobre o medicamento, publicado em 21 de mar√ßo e visto 5,1 milh√Ķes de vezes. Na oportunidade, o presidente falava em "possível cura dos pacientes com covid-19" por meio da cloroquina e anunciava que o laboratório do Exército ampliaria a produ√ß√£o do remédio.

J√° o vídeo mais visto do ano na p√°gina do presidente é uma transmiss√£o ao vivo de 3 de maio, quando ele, sem m√°scara, saúda manifestantes que pediam, entre outras coisas, interven√ß√£o militar e o fim do STF e do Congresso Nacional.

"Temos as For√ßas Armadas ao lado do povo, pela lei, pela ordem, pela democracia, pela liberdade", disse ent√£o Bolsonaro. "Pe√ßo a Deus que n√£o tenhamos problemas nesta semana. Porque chegamos no limite, n√£o tem mais conversa." O vídeo foi visto 8,7 milh√Ķes de vezes.

Vídeo apagado

Em 30 de mar√ßo, a BBC News Brasil revelou que o Facebook havia decidido apagar um dos vídeos publicados pelo presidente na véspera. A empresa declarou que a postagem de Bolsonaro violava as regras de uso da plataforma por potencialmente "colocar as pessoas em maior risco de transmitir covid-19".

Facebook e Instagram removem vídeo publicado por Bolsonaro

Na época, um porta-voz da rede social confirmou que o Facebook e o Instagram optaram por excluir o vídeo em que o presidente conversava com um vendedor ambulante em Taguatinga, no Distrito Federal, argumentando que a empresa remove conteúdos "que violem nossos Padr√Ķes da Comunidade, que n√£o permitem desinforma√ß√£o que possa causar danos reais às pessoas".

Na grava√ß√£o apagada, Bolsonaro dizia: "Eles querem trabalhar. É o que eu tenho falado desde o come√ßo", em defesa do fim do isolamento recomendado pela Organiza√ß√£o Mundial da Saúde em meio à pandemia do coronavírus.

Bolsonaro prosseguia: "Aquele remédio l√°, hidroxicloroquina, est√° dando certo em tudo o que é lugar".

Imagem de vídeo de Bolsonaro que foi excluído

Reprodução

Na época, além do Facebook e do Instagram, o Twitter e o YouTube também optaram por excluir as publica√ß√Ķes do presidente brasileiro.

Fonte: G1

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