Empresas ligadas à ex-companheira de Frederick Wassef mantêm contratos milionários com o governo federal

Uma das empresas recebeu R$ 41,6 milhões durante a gestão de Jair Bolsonaro. Wassef, dono do imóvel em que foi preso Queiroz, nega tê-lo escondidoJNEmpresas [...]

Por Redação em 23/06/2020 às 11:06:18
Uma das empresas recebeu R$ 41,6 milhões durante a gestão de Jair Bolsonaro. Wassef, dono do imóvel em que foi preso Queiroz, nega tê-lo escondido

JN

Empresas ligadas à ex-companheira de Frederick Wassef mantêm contratos milionários com o governo federal, mesmo depois de a empresária ter sido condenada e proibida de fechar contratos com o setor público.

A empresária é Maria Cristina Boner Leo. A empresa, ligada à ex-mulher e sócia do advogado Frederick Wassef, que defendeu o senador Flávio Bolsonaro, recebeu R$ 41,6 milhões durante a gestão de Jair Bolsonaro, como mostrou o portal UOL no domingo (21).

Entenda as investigações sobre a 'rachadinha'

A Globalweb Outsourcing teve como sócia fundadora uma filha de Maria Cristina.

Frederick Wassef chegou a ser apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro como o advogado do inquérito da facada. Ele era um assíduo frequentador dos palácios do Planalto e da Alvorada, residência oficial do presidente.

O Jornal Nacional confirmou com dados do Portal da Transparência que, de janeiro de 2019 até junho de 2020, a Globalweb Outsourcing recebeu mais de R$ 41 milhões em contratos com pelo menos nove órgãos do governo Bolsonaro, incluindo os ministérios da Economia, da Educação, a Telebrás e agências, como Aneel e Anac.

Os serviços são na área de tecnologia da informação. O valor se aproxima do que a empresa recebeu nos quatro anos dos governos Dilma e Temer: mais de R$ 42 milhões.

Segundo o portal, a Globalweb Outsourcing tem contratos vigentes com o governo federal que somam mais de R$ 250 milhões. A maioria foi assinada em governos anteriores, mas vários contratos foram prorrogados no governo Bolsonaro.

Outra empresa no nome de uma das filhas de Cristina, Bruna Boner Leo Silva, é a Dinamo Networks, como mostrou nesta segunda-feira (22) o site O Antagonista. O Jornal Nacional também confirmou.

A empresa foi selecionada para fornecer módulos de segurança criptográfica do novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. O contrato assinado em 2019 é de R$ 1 milhão.

A Globalweb Outsourcing está atualmente no nome de Bruna e de outros sócios de Maria Cristina em outras empresas. A empresária começou a deixar a frente dos negócios da família em 2010, no auge das denúncias envolvendo o pagamento de propina no esquema conhecido como mensalão do DEM, quando José Roberto Arruda era governador do Distrito Federal.

Em um vídeo, de 2006, que faz parte da Operação Caixa de Pandora, Cristina Boner aparece no gabinete do operador do esquema, Durval Barbosa. Cristina comemora mais um contrato fechado.

Em 2019, Cristina Boner foi condenada pela 2ª Vara da Fazenda Pública em Brasília por improbidade administrativa. Pela sentença de primeiro grau, ela está proibida de fechar contratos com o poder público até 2022. Mas a punição não está em vigor, porque ela recorreu.

Cristina Boner também responde a processo na 7ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Desde janeiro, o processo aguarda as manifestações finais dos réus.

O Ministério Público pediu que a empresária seja condenada a 15 anos e dez meses de prisão por 168 acusações por corrupção ativa. além do pagamento de R$ 43 milhões reparação aos cofres públicos.

Destituição

Maria Cristina afirmou à reportagem da TV Globo que ela e Wassef não vivem juntos. mas na quinta-feira (18), dia em que a polícia prendeu Fabrício Queiroz, o advogado estava na casa de Maria Cristina Boner Leo.

Os dois tiveram um relacionamento longo. Em 2011, o juiz de um processo aberto no Rio de Janeiro citou Frederick Wassef como companheiro de Cristina.

Cristina Boner disse que nesta segunda-feira (22) tomaria medidas para destituir Frederick Wassef de qualquer vínculo profissional com os negócios da família.

Fonte: G1

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