Queiroz tinha 'agenda' com contatos para ajudá-lo em prisão, aponta investigação

Em sua decis√£o, juiz da 27¬™ Criminal do Rio diz que est√° 'vetada em qualquer hipótese' a custódia do ex-assessor de Fl√°vio Bolsonaro no BEP. Ele foi levado para

Por Juka Martins em 19/06/2020 às 13:31:04
Em sua decis√£o, juiz da 27¬™ Criminal do Rio diz que est√° 'vetada em qualquer hipótese' a custódia do ex-assessor de Fl√°vio Bolsonaro no BEP. Ele foi levado para Bangu 8, onde permanecer√° isolado por 14 dias seguindo protocolo de preven√ß√£o à Covid-19. Esc√Ęndalo da "rachadinha" teve origem em movimenta√ß√£o financeira de Fabrício Queiroz

Investigadores afirmam que Fabrício Queiroz n√£o est√° preso no Batalh√£o Especial Prisional (BEP) porque ele tinha "uma caderneta com anota√ß√Ķes manuscritas sobre pessoas que supostamente poderiam ajud√°-lo caso fosse preso no batalh√£o prisional da Polícia Militar".

"(...) determina à Secretaria de Administra√ß√£o Penitenci√°ria – SEAP, que encaminhe o referido investigado para uma unidade prisional compatível com a sua seguran√ßa e o rigor da medida preventiva, preferencialmente no Complexo de Gericinó, em Bangu, estando vetada em qualquer hipótese sua custódia no Batalh√£o Especial Prisional – BEP".

O ex-assessor e ex-motorista do senador Fl√°vio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi preso em Atibaia, interior de S√£o Paulo, na manh√£ desta quinta-feira (18). Ele foi localizado em um imóvel de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, e transferido à tarde para o Rio, onde permanece preso em Bangu 8. Ele ficar√° isolado por 14 dias, seguindo o protocolo de preven√ß√£o da Covid-19.

Influência com milicianos e vida 'saud√°vel'

Na decis√£o que autorizou a pris√£o de Queiroz, o juiz Fl√°vio Itabaiana, da 27¬™ Vara Criminal cita a sua a influência com milicianos no Rio, repasses de ex-assessores para conta de Queiroz no valor de R$ 2.039.656,52 e saques na conta do investigado que totalizam quase R$ 3 milh√Ķes.

Os promotores do Grupo de Atua√ß√£o Especializada no Combate à Corrup√ß√£o destacam também que, durante a investiga√ß√£o, fotografias e mensagens de texto demonstraram que, apesar de Fabrício Queiroz alegar n√£o poder depor por suposta indica√ß√£o médica, ele levava uma vida ativa, aparentando estar bastante saud√°vel, chegando a consumir bebidas alcoólicas e churrasco.

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Pagamento de escolas e planos de saúde

Outra suspeita do Ministério Público do Rio de Janeiro é sobre R$ 261 mil pagos em dinheiro por mensalidades escolares e plano de saúde das filhas de Fl√°vio Bolsonaro.

Segundo a documento, ao qual a TV Globo teve acesso, foram 116 boletos quitados em espécie.

Ao menos dois desses boletos, de mensalidades de um colégio no Rio, foram comprovadamente pagos por Queiroz, segundo o MP.

C√Ęmera de seguran√ßa de banco dentro da Alerj registrou, em 1¬ļ de outubro de 2018, às 10h21, Queiroz fazendo pagamentos em dinheiro de dois títulos banc√°rios

Reprodução/TV Globo

O ex-assessor de Fl√°vio Bolsonaro na Assembleia Legislativa (Alerj) quitou duas mensalidades, de R$ 3.382,27 e R$ 3.560,28, em 1¬ļ de outubro de 2018, segundo fotos e dados incluídos no processo.

Ao cruzar dados e imagens de c√Ęmeras de seguran√ßa de agência banc√°ria de dentro da Alerj, o MPRJ concluiu que Fabrício Queiroz fez esses dois pagamentos.

Queiroz foi assessor do hoje senador Flávio quando ele era deputado estadual e teve a prisão preventiva decretada por suspeita de participação em um esquema esquema de "rachadinha".

Segundo a investiga√ß√£o, funcion√°rios de Fl√°vio devolviam parte do sal√°rio, e o dinheiro era lavado por meio de uma loja de chocolate e através do investimento em imóveis.

O pagamento das mensalidades seria mais um indício de que a arrecada√ß√£o do sal√°rio dos servidores do gabinete chegava de volta para o parlamentar, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

"A an√°lise de suas atividades banc√°rias permitiu ao Gaecc/MPRJ comprovar que Fabrício Queiroz também transferia parte dos recursos ilícitos desviados da Alerj diretamente ao patrimônio familiar do ent√£o deputado estadual Fl√°vio Bolsonaro, mediante depósitos banc√°rios e pagamentos de despesas pessoais do parlamentar e de sua família", diz trecho da decis√£o .

Queiroz no momento da pris√£o, em Atibaia (SP)

Bom Dia Brasil

Os investigadores acreditam que Queiroz era uma espécie de operador financeiro de Fl√°vio Bolsonaro, que seria o líder da organiza√ß√£o criminosa.

"As movimenta√ß√Ķes banc√°rias atípicas e o contexto temporal nas quais foram realizadas resultam em evidências contundentes da fun√ß√£o exercida por Fabrício Queiroz como operador financeiro na divis√£o de tarefas da organiza√ß√£o criminosa investigada, tanto na arrecada√ß√£o dos valores desviados da Alerj quanto na transferência de parte do produto dos crimes de peculato ao patrimônio familiar do líder do grupo, o ent√£o deputado estadual Fl√°vio Nantes Bolsonaro", diz trecho do pedido do MP.

Queiroz é amigo da família Bolsonaro desde a década de 80 e e foi chefe de gabinete de Fl√°vio na Alerj. Ele trabalhou com o ent√£o deputado até ser exonerado em outubro de 2018, época da elei√ß√£o presidencial de Jair Bolsonaro.

Movimentação de R$ 1,2 milhão em 2016 e 2017

Caso Queiroz: MP descobriu depósitos de quase R$ 3 milh√Ķes na conta do ex-assessor

O procedimento investigatório criminal do Ministério Público Estadual do RJ que apura as irregularidades envolvendo Queiroz na Alerj chegou a ser suspenso por decis√£o do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, após pedidos de Fl√°vio Bolsonaro em 2019.

As investiga√ß√Ķes envolvem um relatório do Coaf, que apontou opera√ß√Ķes banc√°rias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Alerj. Recursos usados para pagar funcion√°rios na Alerj voltavam para os próprios deputados estaduais.

A movimenta√ß√£o atípica de R$ 1,2 milh√£o na conta de Queiroz ocorreu, segundo as investiga√ß√Ķes, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, incluindo depósitos e saques.

Fonte: G1

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