Brasil tem quase 200 tipos de testes para Covid-19, mas ainda testa pouco

  O RT-PCR é gratuito na rede pública. Na rede privada, o exame pode ser feito com pedido médico com pre√ßo de R$ 150 a R$ 470. Recentemente, o Hospital

Por Juka Martins em 17/06/2020 às 18:39:58

 

O RT-PCR é gratuito na rede pública. Na rede privada, o exame pode ser feito com pedido médico com pre√ßo de R$ 150 a R$ 470.

Recentemente, o Hospital Sírio-Libanês (HSL) divulgou novo teste com custo de R$ 95. De mesma especificidade e sensibilidade que o RT-PCR, o exame também busca o material genético do vírus, mas de forma mais simples e, por isso, mais barata.

A saliva é o material analisado, e o próprio paciente pode fazer a coleta. De acordo com o laboratório, a an√°lise dura apenas uma hora. O HSL afirma ter capacidade de processar 100 mil exames por dia.

No momento, o exame n√£o é ofertado para pessoas físicas, sendo disponível apenas para alguns laboratórios parceiros e o próprio HSL.

A rede de medicina diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein também patenteou um novo teste para Sars-CoV-2.

O método, conhecido como sequenciamento de nova gera√ß√£o, busca também o material genético do vírus. A partir de swab do nariz e da garganta, o RNA viral é identificado em um enorme conjunto de nucleotídeos (unidades que formam o DNA).

Com especificidade de 100% e sensibilidade de 90%, o teste tem capacidade de detectar o vírus j√° a partir do 1? dia de infec√ß√£o, e ser√° ofertado ainda a partir deste mês a um pre√ßo menor em compara√ß√£o ao seu similar, hoje em torno de R$ 250. A capacidade de processamento esperada é de até 24 mil testes por semana.

O Fleury também desenvolveu tecnologia inédita para o diagnóstico da Covid-19, a espectrometria de massa, e passou a oferecer também esse exame desde o final de maio.

A técnica busca proteínas específicas do Sars-CoV-2, os nucleocapsídeos. As proteínas s√£o isoladas de swabs colhidos do nariz e da garganta e quebradas em peda√ßos menores, que s√£o medidos em uma curva de massa.

O período para realizar o exame é o mesmo do molecular -3? ao 10? dia- e sua especificidade também é de 100%, mas a sensibilidade alcan√ßada até o momento é de 84%.

Uma vantagem do novo diagnóstico é que as amostras n√£o precisam ser congeladas, podendo ser estocadas por até 5 dias em temperatura ambiente.

A capacidade de processamento da rede é de até 1.500 amostras por dia, e o resultado liberado em até 3 dias úteis. O valor ofertado ainda n√£o foi definido, mas ser√° cerca de 15% menor que o valor pago pelo RT-PCR, entre R$ 170 e R$ 180.

J√° os testes sorológicos buscam anticorpos no sangue para o coronavírus, e h√° três tipos disponíveis: a quimioluminescência e a imunoabsor√ß√£o enzim√°tica (Elisa), que usam sangue venoso, e o teste imunocromatogr√°fico, ou "teste r√°pido", feito com uma gota de sangue do dedo.

Os testes sorológicos identificam pessoas que j√° tiveram contato com o vírus e, por isso, devem ser feitos a partir do 10? dia de cont√°gio.

Os testes de quimioluminescência e Elisa s√£o processados em até 4 horas nos laboratórios e consistem em uma rea√ß√£o entre uma enzima acoplada ao anticorpo que se liga ao vírus (antígeno), gerando cor -no caso do Elisa- ou luz -quimioluminescência.

Diversos laboratórios disponibilizam testes sorológicos para Covid-19 -h√° cerca de 40 exames de diferentes empresas de biotecnologia registrados na Anvisa. Os pre√ßos variam de R$ 90 a R$ 380, e o tempo de libera√ß√£o do laudo é, em média, 24h.

No início da pandemia, os testes sorológicos foram alvo de debate por sua baixa acur√°cia (precis√£o) e por apresentarem alta taxa de falso negativo, problema relacionado à baixa sensibilidade de alguns testes.

No final de maio, um teste da Roche com efic√°cia de 100% foi aprovado para uso no país. Segundo a empresa, a sensibilidade do novo exame, similar ao de quimioluminescência, é de 100%, com especificidade maior que 99,8%. A an√°lise é feita em apenas 18 minutos.

Ainda sem pre√ßo definido, o teste estar√° disponível nas unidades parceiras dentro das próximas semanas.

Os testes imunocromatogr√°ficos resultam da liga√ß√£o de amostra de ouro coloidal com o conjunto antígeno-anticorpo, criando uma banda quando h√° rea√ß√£o. Os aparelhos desses testes s√£o semelhantes aos usados para testes de glicemia, onde é colhida uma gota de sangue da ponta do dedo no próprio aparelho. O resultado sai entre 10 e 30 minutos.

A acur√°cia desses testes, entre 60% e 70%, é muito baixa, afirmam especialistas, e por isso n√£o apontariam com certeza se a pessoa j√° teve contato com o vírus.

Alguns laboratórios particulares, como Einstein, Labi Exames e Hermes Pardini, também oferecem o exame imunocromatogr√°fico. O governo federal também distribuiu testes r√°pidos doados pela Vale para os estados e municípios para testar a popula√ß√£o.

A aprova√ß√£o por parte da Anvisa de testes r√°pidos para distribui√ß√£o em farm√°cias causou polêmica entre entidades médicas que avaliaram o uso desses testes com cautela.

Eles correspondem ao maior contingente de testes listados na p√°gina da agência. S√£o mais de 300 tipos, referentes a cerca de 75% de todos os testes que solicitaram aprova√ß√£o do órg√£o, dos quais mais da metade ainda n√£o possui registro aprovado.

Segundo a Anvisa, as compras dos produtos que abastecem o sistema público de saúde s√£o descentralizadas e est√£o sob regimento da pasta de saúde. O Ministério da Saúde n√£o respondeu os questionamentos da reportagem sobre quais testes est√£o sendo avaliados para compra no país nem sobre o prazo de entrega.

Fonte: Banda B

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