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“VIVEMOS DIAS TRISTES PARA A DEMOCRACIA”, DIZ JUIZ QUE LIBEROU JOVENS

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Na decisão em que liberou o grupo de manifestantes presos (confira aqui) pela Polícia Militar neste domingo 5 antes de começar o protesto contra Michel Temer e em defesa de eleições presidenciais já, o juiz Rodrigo Tellini, do Foro Central Criminal da Barra Funda, considerou as prisões ilegais e lamentou o atual momento político.

“Vivemos dias tristes para nossa democracia. Triste do país que seus cidadãos precisam aguentar tudo de boca fechada. Triste é viver em um país que a gente não pode se manifestar”, declarou, no despacho. O grupo ficou mais de 24 horas detido sob a acusação de “associação criminosa e corrupção de menores”.

A Defensoria Pública e o Ministério Público solicitaram a apuração de violência policial. Duas pessoas relatam que policiais forjaram a apreensão de objetos, o que também deverá ser investigado. Foram liberados hoje 19 adultos do total de 27 manifestantes detidos antes do protesto. Outros oito menores de idade detidos irão responder por ato infracional. Eles serão ouvidos pela Justiça no Fórum do Brás.

Versão da PM

Em coletiva de imprensa, o coronel Dimitrios Fiskatoris, responsável pela operação, afirmou que os jovens “declararam que estavam reunidos para praticar atos de desordem na cidade”. “Eu tenho registro da declaração deles dizendo que faziam parte de um grupo que estava reunido para praticar atos de desordem na cidade e que eram parte de várias células que estavam espalhadas pela cidade”, declarou.

Fotos divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado dos supostos pertences dos manifestantes mostram estilingue, pedras, garrafas com líquido não identificado – a mãe de um deles afirmou ser vinagre,para se proteger do gás da PM – celulares e chaves. Há ainda máscaras e kit de primeiros socorros. A PM afirmou haver também uma barra de ferro, que não foi mostrada nas fotos.

Na delegacia, advogados acusaram os policiais de cometerem abusos, como o impedimento da comunicação entre os presos a advogados e entre os presos e seus familiares. Eles foram obrigados a prestar depoimentos sem a presença de seus defensores.

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Cristiano Ricelli

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