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COMPRA DE SILÊNCIO: Negociação de R$ 300 mil complica mais Feliciano e mulher que o acusa

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A suposta negociação de R$ 300 mil pelo silêncio da mulher que acusa o deputado federal Pr. Marco Feliciano complica ainda mais a situação do parlamentar e da própria garota. Segundo consta no inquérito policial, os pagamentos seriam em seis parcelas de R$ 50 mil.

Os bastidores da negociação e as evidências apresentadas por Emerson Biazon, o jornalista que levou Patrícia para São Paulo há uma semana, indicam que houve clara tentativa por assessores de Feliciano de tentar comprar o silêncio da mulher – e desta forma, o episódio corrobora a denúncia contra o parlamentar por assédio sexual, agressão e tentativa de estupro dentro do apartamento funcional.

A Polícia Civil de São Paulo vai arquivar hoje a denúncia de sequestro qualificado e coação da jornalista Patrícia Lélis, após ela registrar em B.O. o chefe de gabinete de Feliciano, Talma Bauer – com quem ela se reuniu por diversos momentos, dentro e fora do hotel San Raphael, na capital paulista. Testemunhas apresentaram as provas. Já o advogado de Patrícia, José Carlos Carvalho, avisa que vai pedir mais investigações e ratifica que ela foi coagida o tempo todo.

ATRÁS DE CONTAS

Os R$ 20 mil apreendidos pelo 3º DP entregues por Emerson Biazon são a maior prova, até agora, de que houve a tentativa de suborno por parte de Bauer. Seriam parte da primeira parcela de R$ 50 mil.

O dinheiro circulou em cash porque Patrícia não teria conseguido uma conta para o depósito sem deixar rastros. De acordo com as investigações, ela pediu ao empresário dela, chamado Marcelinho, sua conta empresarial para depósitos mensais. Ele desconfiou do que se tratava após respostas evasivas dela, e não topou o acordo.

O quebra-cabeças dessa situação também tem outra peça – de São Paulo, a jovem telefonou para a mãe no último dia 2 de agosto, e pediu uma conta CNPJ, sem explicar do que se tratava. Os pais de Patrícia têm uma conta assim, mas segundo a mãe, Maria Aparecida Lélis, não houve qualquer crédito – o saldo da conta, hoje, é de R$ 126, informa a mãe da garota.

À ocasião do pedido da conta, a jovem soube que a mãe revelara esse pedido em entrevista à Coluna, e ficou muito irritada. Ontem, em contato o repórter, Patrícia negou que tenha pedido dinheiro, embora confesse que tenha liberado Emerson para negociar com o chefe de gabinete de Feliciano. Disse que o amigo negociasse mas sem a envolver financeiramente. “Eu só queria  que Feliciano me deixasse em paz, a minha vida de volta”.

Mas a Polícia conseguiu provas de que houve gastos altos de Patrícia durante sua estadia por SP. O hotel e sua passagem aérea foram pagos por Bauer – o que evidencia que ela já viajara para a capital paulista ciente de que haveria o trato.

Durante os dias que ficou na cidade, ela passeou por shoppings, foi ao cinema com um namorado que mora na capital, a uma churrascaria cuja conta passou de R$ 400, e num salão de beleza pagou R$ 700 para uma maquiagem que precedeu um dos vídeos nos quais ela passou a defender Feliciano, após as publicações da Coluna das denúncias que ela mesma informou, e com entrega de evidências de provas.

NA MIRA

O delegado Luís Hellmeister, do 3º DP paulistano, avalia se enquadra Patrícia por falsa comunicação de crime, mas também, diante das envidências apresentadas de negociação, pode indiciar Talma Bauer na tentativa de silenciá-la mediante pagamento.

Há dois mistérios ainda nas mãos da Polícia: de onde viria esse dinheiro, e quem é Artur, um carioca que apareceu no depoimento de Emerson Biazon e nas mensagens trocadas entre ele e Patrícia.

Um conhecido de Patrícia, o rapaz, que reside no Rio, seria um intermediário para receber esse dinheiro.

DEFESAS

Ontem, o PSC – o qual a jornalista acusa de omissão no caso, após suposta comunicação da agressão em Brasília – manteve Feliciano na liderança, e decidiu fazer queixa contra a jornalista.

Feliciano gravou um vídeo ao lado da esposa, no último sábado, quatro dias após estourar a denúncia pela Coluna. No vídeo, defende-se e diz que a verdade vai aparecer.

Patrícia Lélis mantém sua versão da agressão, assédio e tentativa de estupro dentro do apartamento funcional. O caso teria ocorrido no dia 15 de junho. Ela fez B.O. na Delegacia da Mulher em Brasília, e deputadas denunciaram Feliciano à Procuradoria Geral da República.

O advogado de Patrícia, José Carlos Carvalho, pediu à PGR a busca imediata das imagens da portaria, elevador e corredor do prédio do deputado federal, para comprovar a presença da jovem no apartamento de Feliciano.

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