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Com inflação dentro do esperado, BC pode reduzir ritmo de cortes da Selic

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira, 10, que, caso o cenário básico de inflação evolua conforme o esperado, a instituição vê como “adequada uma redução moderada” no ritmo de redução na taxa básica de juros, a Selic. Nas mesmas condições, o Comitê de Política Monetária (Copom) antevê um “encerramento gradual” do ciclo de flexibilização monetária.

Segundo Ilan Goldfajn, o cenário básico para a inflação não se alterou de forma material desde a última reunião do Copom, mas o processo de redução dos juros vai continuar dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação. Hoje, após sucessivos cortes, a Selic está em 8,25% ao ano, e o mercado espera que encerre em 7% ao ano segundo o Boletim Focus.

“Há expectativas por parte do mercado de quedas adicionais da Selic à frente”, afirmou o presidente do BC, que participa nesta terça de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Dosagem adequada

A dosagem da política monetária se mostrou adequada diante da necessidade de ancorar expectativas para a inflação, defendeu o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Segundo ele, o ritmo de elevação de preços não teria apresentado a mesma desaceleração observada caso a autoridade monetária não tivesse atuado de maneira firme para “domar” as perspectivas.

Segundo o presidente do BC, mesmo com o início da recessão, houve demora para que se conseguisse romper o processo inflacionário. Isso ocorreu porque as empresas continuavam reajustando seus preços, apesar da queda na demanda, diante do temor de possível baixa nas margens de lucro. Esse comportamento defensivo, na visão de Ilan Goldfajn, aprofundou a recessão sem que houvesse queda na inflação.

“A condução firme da política monetária, aliada à mudança na direção da política econômica de forma geral, foi decisiva para mitigar esse comportamento defensivo, reduzindo as expectativas de inflação e colocando a inflação em trajetória de queda”, afirmou durante audiência pública na CAE do Senado.

O presidente do BC lembrou ainda que a recessão durou dois anos, mas a inflação permaneceu elevada até o último trimestre de 2016 – fruto desse comportamento defensivo. Mas, desde então, o índice de preços desacelerou de 10,7% para 2,5% no acumulado em 12 meses.

Segundo Ilan Goldfajn, a ancoragem das expectativas teve um papel importante nesse processo. Quando assumiu o BC, o presidente lembra que havia pedidos por uma meta de inflação ajustada, que permitisse um resultado maior. “Acreditávamos que, apesar de a meta de 4,5% ser desafiadora, era possível”, disse.

“No fim, meta se mostra não só crível como bastante possível com ancoragem de expectativas. Enquanto a expectativa de inflação é alta, não se reduz os preços”, afirmou o presidente do BC, destacando mais uma vez a “firmeza” da política monetária.

Recessão

Goldfajn admitiu que a recessão também contribuiu para a inflação, mas ponderou que a ociosidade da economia (típica de período recessivo) não pode ser dimensionada “exageradamente” como fator para desaceleração dos preços. Para ele, a ancoragem das expectativas foi elemento mais preponderante.

Além disso, houve o choque nos preços dos alimentos, que contribuiu para a redução da inflação em quase 2 pontos porcentuais. Isso também justifica por que a inflação está abaixo da meta de 4,5% – economistas já apostam no risco real de o índice ficar abaixo do piso da meta, que é de 3%. “É natural esperar que, no regime de metas, a inflação flutue em torno da meta. A flutuação não é sempre acima da meta”, salientou.

Ilan Goldfajn ressaltou ainda que, além da redução da inflação e queda dos juros, a recuperação da economia também é sinal de avanço na situação brasileira. “O cenário internacional tem se mostrado favorável a economias emergentes como Brasil, na medida em que a atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar as condições financeiras nos países avançados, e isso contribui para manter apetite em relação a economias emergentes”, disse.

 

 

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