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Boa Vista, Camucá, Borborema: Por Ramalho Leite

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A notícia histórica que se tem é a partir de 1912, quando o advogado José Amâncio Ramalho, em disputa com os Targino, em Araruna, resolveu adquirir terras onde surgiria a cidade de Borborema, largando a núcleo do seu nascimento e adotando as novas terras a que denominou de Boa Vista. Consta que teria comprado as glebas a um certo capitão João da Mata, possuidor de um sitio de goiabeiras. Encontrei em Humberto Fonseca, historiador respeitado, um João da Mata Lins Fialho, agricultor e pecuarista, entre os assinantes de um manifesto em defesa da independência de Araruna, então pertencente à Vila de Bananeiras. O documento data de 1871. Houve outro João da Mata Lins Fialho, filho do primeiro. Não pude comprovar se foi o pai ou o filho o vendedor da propriedade ao desbravador Ramalho. Lembro, porém, que o hospital de combate à bouba existente em Borborema e administrado pelo médico Arnaldo Tavares, chamava-se Hospital João da Mata, por certo em homenagem ao antigo dono do prédio ou das terras onde funcionava o nosocômio.

Na lei que fixou a Divisão Administrativa do Estado da Paraíba, nos anos 1936/37, o nome Borborema designa distrito incorporado ao município de Bananeiras. Um decreto estadual de 1943, muda sua denominação para Camucá e, novamente, para Borborema, através de lei estadual datada de 1948. Com esse nome aparece na nova lei da Divisão Administrativa publicada em 1950, assim permanecendo até ser transformada em cidade, desmembrando-se de Bananeiras. A cidade foi instalada em 12 de novembro de 1959 com a posse do prefeito Antonio Barbosa da Costa, nomeado pelo governador Pedro Gondim. Uma resolução da Câmara Municipal de Bananeiras sugeria a incorporação do distrito de Vila Maia ao novo município. A Assembléia Legislativa rejeitou a proposta mas aprovou a criação da Comarca, vetada pelo governador. A vila se fez cidade graças a projeto de autoria do deputado Nominando Diniz, o pai. Os deputados Orlando Cavalcanti e Clovis Bezerra, maiores interessados nos votos da nova cidade, não quiseram indispor-se com os bananeirenses mais exaltados, representados pelos vereadores Santos Guedes e Antonio Vaz,defensores da integralidade do território de Bananeiras. Apesar da reação, três novas cidades surgiram: Solânea, Borborema e Dona Inez.

A primeira eleição para prefeito e vereadores de Borborema ocorreu em 1960 em conjunto com a eleição do presidente da república e do governador do estado. Nesse memorável pleito foram eleitos Janio Quadros e Pedro Gondim. O primeiro prefeito eleito foi o vereador à Câmara de Bananeiras, Arlindo Rodrigues Ramalho, meu pai, que disputou a eleição com o agrônomo Rubens Guerreiro de Lucena. Eu faria parte da segunda câmara de vereadores, da qual fui presidente por quatro anos.

Em Borborema, pela iniciativa do empreendedor José Amâncio Ramalho surgiria a terceira hidroelétrica do país, que distribuiu energia para sete comunidades ao seu redor. A rede ferroviária parou ali em 1913, seguindo até Bananeiras depois de 1925, quando foi concluído o túnel da Serra da Viração.A cidade possuía o melhor comercio da região. A barragem construída para movimentar as turbinas da usina de energia, cobriu com suas águas as principais casas comerciais. Em reparação a esse fato, Amâncio contratou um engenheiro para projetar a nova cidade, de ruas amplas e bem traçadas, estirando-se preguiçosamente sob as vistas de Nossa Senhora do Carmo, instalada no monte mais alto do lugar. Essa história continua.

Ramalho Leite é procurador do Estado e jornalista.

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