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ALIMENTOS ANTICÂNCER. O VERDADEIRO E O FALSO NUMA PROPOSTA DE CURA NATURAL

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Uma pequena pitada de açafrão…

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Curcuma longa é uma planta amarela da família do gengibre que, de acordo com os adeptos de seu consumo, seria um milagre alimentar com verdadeiras propriedades anticâncer (especialmente no cólon e no sistema digestivo). A curcumina, uma das moléculas do açafrão das mais biologicamente ativas (encontrada no caril) teria propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e anticancerígenas. Se David Servan-Schreiber o preconiza «in natura» ou associado à pimenta do reino, o Dr. Chevallier prefere combiná-la com caril por causa da piperina, uma molécula existente também na pimenta do reino preta, para melhorar sua absorção intestinal (aporte potencializado pela associação com brócolis ou couve). Há dois anos, o National Cancer Institute (NCI-USA) tinha consagrado o açafrão ao lhe dedicar um editorial.

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Pois, em oncologia, foram observados alguns efeitos antiproliferativos. Sua ação preventiva diz respeito particularmente a cânceres da bexiga, do colo do útero, do estômago, do pâncreas e da pele. Esta especiaria, estando onipresente na culinária indiana, a Previdência Social estaria tomando medidas de salubridade pública ao reembolsar as notas fiscais de restaurantes exóticos.

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As crucíferas têm o vento em popa

Da vitamina C e dos ácidos fólicos contra os cânceres do pâncreas, o esôfago, do colorectum, da próstata… As crucíferas, os brócolis e couve-flores em especial, são nossos amigos. Pesquisadores doRoswell Park Institute em Nova Iorque testaram as virtudes dos brócolis no câncer de bexiga do camundongo, com êxito: em altas doses, os brócolis reduziriam significativamente os riscos de contrair esta doença. Ademais, um estudo americano aprofundado, efetuado de 1993 a 2001 com 30 mil homens com idades entre 55 a 74 anos, evidenciou sua ação sobre a forma agressiva do câncer de próstata. Na sua forma clássica, com evolução lenta, os benefícios das crucíferas não são comprovados, mas, em geral, sabe-se que os derivados de glucosinolatos que elas contêm, iriam limitar a proliferação das células malignas ou sua migração para outros órgãos, e seriam particularmente eficazes na prevenção do câncer de cólon e do câncer retal. Um estudo canadense com 1 338 indivíduos com câncer de próstata demonstrou também que o consumo de crucíferas em grandes quantidades permitiria que pacientes evitassem a propagação de tumores para outros órgãos.

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Os cogumelos, promissores

Pesquisadores australianos estudaram os hábitos alimentares e o estilo de vida de mais de 2 mil mulheres chinesas e destacaram o papel preventivo do cogumelo sobre o câncer de mama. As consumidoras (com pelo menos 10 gramas por dia) teriam 64% de riscos a menos que aquelas que nunca consumiram. É preciso dizer que as espécies asiáticas shitake, maitake, reishi… (mas também os cogumelos-ostra) são genuínos magic mushrooms, e ocupam um lugar de honra na farmacopeia chinesa e japonesa. Eles contêm alta quantidade de polissacarídeos, incluindo a lentinana, que fortalecem o sistema imunológico. Os japoneses são os principais produtores e alguns dos principais centros de oncologia do país acompanham os tratamentos pesados com extratos destes cogumelos. Consumir estes alimentos ajudaria a prevenir o risco de câncer do estômago e melhorar a cura, especialmente no caso de câncer do cólon. Resta encontrar estas raridades em nosso país (No Brasil, sobretudo nas grandes cidades, esses cogumelos podem ser encontrados na maioria dos supermercados – N.R.) ou na falta destas, contentar-se com o cogumelo-ostra. A desvantagem: não é aconselhável colher cogumelos localizados perto de estradas, de áreas industriais, de rios poluídos… porque absorvem metais pesados.

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Meu peixe é uma delícia!

Ao contrário das normas femininas, o bom peixe deve ser gorduroso (salmão, sardinha, cavala…), o peixe magro não tem as qualidades de seu alter adiposo. Uma sardinha pode conter de 20 a 30 vezes mais ômega 3 que um linguado ou bacalhau. Esses ácidos graxos ômega 3 de origem animal, mais eficazes que os de origem vegetal, representam um trunfo essencial para a  nossa saúde. Uma pesquisa sueca, realizada ao longo de quinze anos por pesquisadores do Karolinska Institutet de Estocolmo, sobre os hábitos alimentares de mais de

60 mil mulheres com idades de 40 a 76 anos, tende a demonstrar sua ação preventiva sobre o câncer de rim, ao inibir o crescimento das células cancerígenas e a formação de metástases. Os resultados falam por si: as que incluíram pelo menos uma vez por semana peixe gordo na sua dieta, viram o risco de câncer de rim diminuir em mais de 40%. As consumidoras excessivas viram esse mesmo risco diminuir em 75% em comparação com mulheres que nunca consumiam peixe. A desvantagem: algumas pessoas continuam cautelosas sobre as virtudes dos peixes, possivelmente contaminados com metais pesados e recomendam evitar certas espécies como o lúcio, o tubarão, o peixe-espada, o halibute ou o atum. De seu lado, a Afssa * (que acaba de lançar um estudo sobre os níveis de PCB dos peixes de água doce) recomenda que as mulheres grávidas ou lactantes, não consumam peixes predadores mais de uma vez por semana, mas diz não haver perigo para que outras pessoas consumam mais peixe.

*Afssa = Agência francesa de vigilância sanitária dos alimentos.

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Café ou chá

Estudos têm focado sobre os benefícios do café para a saúde, especialmente sobre o câncer de próstata. Entre 1986 e 2006, um estudo realizado por pesquisadores da faculdade de medicina de Harvard, analisou os hábitos de consumo de 50 mil homens, dos quais quase 10% desenvolveram um câncer deste tipo. Os maiores consumidores de café (mais de seis xícaras por dia, portanto, não recomendado!) viram o perigo de desenvolver este câncer na sua forma virulenta, diminuir em 60% em relação aos que nunca beberam. É preciso anotar, os pesquisadores descobriram que este benefício se aplicava também aos consumidores de café descafeinado. A desvantagem: se por muito tempo o café foi recompensado com virtudes contra o câncer do cólon, uma recente pesquisa sueca questionou a existência de uma proteção contra este tumor. No que diz respeito ao chá, uma equipe de pesquisadores do Roswell Park Cancer Institute de Nova Iorque publicou no International Journal of Cancer que as mulheres apreciadoras de chá (especialmente verde) ou de café, diminuem o risco de câncer do endométrio em 53%, com quatro xícaras diárias no mínimo. O chá, especialmente rico em antioxidantes (flavonóides, catequinas, isoflavonas…), proporcionaria às mulheres uma verdadeira proteção contra este tipo de doença: as que consomem pelo menos duas xícaras por dia reduziram o risco em 44%, contra apenas 29% para o café em quantidades iguais. Mas é preciso relativizar estes resultados: as consumidoras frenéticas de chá e café são frequentemente mais magras e o peso não é irrelevante sobre a ocorrência de um câncer. A desvantagem: consumido muito quente, o chá poderia, de acordo com um estudo publicado na revista British Medical Journal, favorecer o câncer do esôfago!

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A erva doce controversa

A erva-doce é um alimento muito popular por estar muito presente no famoso regime dos centenários de Okinawa, no Japão. Rico em fibras, em minerais (potássio e magnésio), em beta-caroteno, em ferro, em vitaminas C, E, e B9 (ou ácido fólico) e antioxidantes, a erva-doce é um concentrado de saúde puro. Como tal, ele é novamente admitido em nossos pratos. Estes elementos agem em sinergia para formar uma espécie de escudo das células, protegendo-as do desenvolvimento de certos tipos de câncer, esófago, pele… Os folatos, em especial, são objeto de inúmeros estudos que tendem a provar que um consumo elevado diminuiria de modo significativo o risco de câncer colorretal «uma linha de pesquisa », adverte o ministério da Saúde. A desvantagem: pesquisas argumentam que por causa de seus fitoestrógenos (nutrientes de origem vegetal) a erva doce é contraindicada em caso de câncer comprovado de mama ou de próstata.

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A soja impugnada

Nos últimos anos, a soja estabeleceu-se no top 10 dos alimentos saudáveis como o melhor amigo da mulher. E é verdade que muitos estudos muitas vezes epidemiológicos ou ecológicos tendem a demonstrar sua influência positiva na prevenção de certos tipos de câncer. Assim, um estudo realizado em Xangai demonstrou que um consumo regular reduziria significativamente os riscos de desenvolver um câncer do colo do útero e, em geral, do endométrio, especialmente entre as mulheres com excesso de peso. Outro estudo realizado durante três anos por epidemiologistas americanos em mil mulheres, metade delas em boa saúde, a outra sofrendo de um câncer de mama, sugeriu por sua vez que a ingestão de soja, sobretudo na adolescência, reduziria significativamente o risco de câncer de mama. Os defensores desta tese baseam-se sobre o fato que os asiáticos, grandes consumidores de soja, têm níveis mais baixos de cânceres hormônio-dependentes (mama e próstata) que os ocidentais. A desvantagem: há algum tempo, vozes discordantes, mas altamente científicas têm se juntado para denunciar os efeitos negativos da soja sobre o mesmo câncer de mama. Em causa, os fitoestrógenos (hormônios femininos vegetais), e especialmente o estradiol, contido em altas quantidades no leite de soja, que pertubam o equilíbrio hormonal das mulheres. O Dr. Laurent Chevallier ou o Prof. Jean-Marie Bourre são críticos fervorosos da teoria da soja milagrosa, argumentando que estes estradióis representam «pertubadores hormonais potentes nas mulheres », suscetíveis de «incentivar o desenvolvimento dos cânceres hormonodependentes, como os de mama ».

 

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