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A pressão da ditadura que impediu Dom Helder Câmara de ser o 1º brasileiro a receber o Prêmio Nobel da Paz

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As constantes denúncias de violações dos direitos humanos e o combate à ditadura militar no Brasil (1964-1985) custaram a dom Helder Câmara oPrêmio Nobel da Paz. É o que aponta o mais recente relatório da Comissão da Memória e Verdade de Pernambuco, apresentado no último dia 18 de dezembro. Seria o primeiro brasileiro a ser agraciado com a honraria (o País já passou perto algumas vezes).

Intitulado Prêmio Nobel da Paz: A atuação da Ditadura Militar Brasileira contra a indicação de Dom Helder Câmara, o documento reúne fatos, relatos e documentos que mostram como a diplomacia brasileira atuou na Europa nos anos 70 contra o arcebispo de Olinda e Recife, que foi cotado por três anos para receber o prêmio criado pelo milionário sueco Alfred Nobel (1833-1896).

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“A gente tinha notícia de que começou a ter uma grande mobilização do governo para impedir que dom Helder recebesse o prêmio, mas não tínhamos como provar”, relembrou ao jornal Folha de S. Paulo Fernando Coelho, coordenador da comissão, que leva o nome de dom Helder Câmara.

Em um dos trechos iniciais do relatório, consta uma passagem das memórias do ex-ministro do Exército, general Sylvio Frota, que aborda as ‘difamações’ que estariam sendo proferidas por dom Helder Câmara quanto ao tratamento de presos políticos no Brasil durante o regime. Além das denúncias, o religioso sempre fez uma forte defesa dos mais pobres, o que o levou a ser pejorativamente chamado de ‘arcebispo vermelho’, em referência ao comunismo.

Durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), a diplomacia brasileira em países como Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia atuou para convencer os responsáveis pelo Nobel a não dar o prêmio a Câmara. Ofícios da época foram reunidos no relatório da comissão pernambucana, confirmando um ‘programa de ação’ contra o arcebispo.

“É uma singela reparação a um dos maiores representantes da luta pela democracia e pela justiça social do Brasil e do mundo. Hoje, sabemos claramente do esforço do governo ditatorial para evitar esse reconhecimento, até chantageando empresas estrangeiras”, disse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

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Membro-fundador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Helder Câmara está prestes a ser beatificado pelo Vaticano. Morto em 1999, o cearense sempre seguiu um modelo no qual a Igreja deveria, primeiramente, atender aos mais pobres, afirmando que essa era a melhor forma de servir a Deus.

O combate às violações teve uma perda pessoal ao religioso: em 1969, o assessor de Dom Hélder, o padre Henrique, foi preso e torturado até a morte pelos militares. Em seus mais de 20 livros publicados – boa parte traduzida para outros idiomas –, Câmara defendeu ainda o seu ideal de ‘não-violência’ e a necessidade de profundas reformas por um Brasil menos desigual.

Brasil Post

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