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A globalização e o “lixo humano”: realidade dos refugiados

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Assunto que ganha páginas de jornal e a atenção de parte da mídia, a imigração, se mostra como uma questão de profunda complexidade e preocupação nos dias atuais. Tratada seja como consequência de conflitos bélicos ou religiosos, tal realidade pode ser analisada de forma muita intensa, problematizada, sobretudo, por um processo multifacetado e amplo. Pensar o fluxo constante de refugiados, em sua saga por dias melhores em territórios, muitas vezes desconhecidos, traz à tona uma questão essencial, e que, simplesmente é ignorada, seja na grande mídia ou no senso comum. Trata-se do fenômeno da globalização, hoje tão intenso e universal. Seu discurso de benefícios globais, de potencialização de uma sociedade do consumo, e, portanto, da felicidade, evidencia sua faceta falaciosa. Realidade que se materializaria com a compressão do tempo-espaço, numa aldeia global geradora de riquezas e ganhos coletivos.

Populações do globo estão a cobrar a felicidade prometida, mas essa cobrança se dá na mesma escala da nova realidade de um mundo menor. Em outras palavras, este deslocamento acontece dentro da mesma percepção de que, “o futuro está ali, em nosso quintal”, seja na Europa e nos EUA, alimentado pelas mesmas ideias que exaltam que somos um todo.

A triste realidade se faz sentir com remédio adotado para tentar atenuar esta situação, ou seja, o excedente humano. Parafraseando Bauman, “o mais fatal, do triunfo global da modernidade é a crise aguda da indústria de remoção do ‘lixo humano’ […], massa de homens e mulheres já privados de suas terras, locais de trabalho e redes comunais de proteção”. E continua o autor (2007, p. 35), “há uma perspectiva plausível de a modernidade capitalista se afogar em seu próprio lixo que não consegue reassimilar ou eliminar e do qual é incapaz de se desintoxicar”.

 

Anderson Cardozo

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